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Como parar de comer doce: a vontade depois do almoço e à noite

Como parar de comer doce no dia a dia: de onde vem a vontade depois do almoço e à noite, o que a OMS conta como açúcar e planos simples para cada momento.

Para muita gente, o problema não é o bolo de aniversário. É o docinho depois do almoço, o chocolate da gaveta às quatro da tarde e o pote de sorvete na frente da série. Quem procura como parar de comer doce normalmente já sabe que açúcar demais não faz bem. O que falta é um jeito de atravessar esses momentos sem depender de força de vontade todo dia.

Este texto é sobre a vontade do dia a dia. Se você quer um desafio fechado, com regras e prazo, o caminho está em 30 dias sem açúcar. Aqui a ideia é outra: entender quando a vontade aparece e ter uma resposta pronta para cada hora.

Quanto doce é demais

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os açúcares livres fiquem abaixo de 10% das calorias do dia e, se possível, abaixo de 5%, o que dá cerca de 25 gramas, umas 6 colheres de chá. No mesmo comunicado, a OMS lembra que uma lata de refrigerante comum pode ter até 40 gramas de açúcar.

Açúcar livre, para a OMS, é o açúcar adicionado pelo fabricante, por quem cozinha ou por quem come, mais o açúcar do mel, dos xaropes e dos sucos de fruta. O açúcar da fruta inteira e do leite fica de fora. Por isso a fruta é uma aliada neste plano, e o suco de caixinha não é.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, vai na mesma direção: base de alimentos in natura ou minimamente processados, e açúcar em pequena quantidade. Biscoito recheado, achocolatado e refrigerante são ultraprocessados, e é com eles que boa parte do doce do dia entra sem a gente perceber.

A vontade tem hora marcada

Repare quando você come doce. Para a maioria das pessoas não é a qualquer hora: é depois do almoço, no meio da tarde, à noite, ou quando bate cansaço ou estresse. Isso é hábito, uma resposta aprendida a uma situação. A boa notícia é que situação dá para prever, e o que dá para prever dá para planejar.

Durante uma semana, anote cada vez que comer doce: a hora, onde você estava e como estava se sentindo. Sem julgar, só anotar. No fim da semana, quase sempre aparecem dois ou três momentos que concentram a maior parte.

Um plano para cada momento

Com os momentos na mão, monte uma resposta para cada um no formato "se acontecer X, eu faço Y". Numa meta-análise de 94 testes, os psicólogos Peter Gollwitzer e Paschal Sheeran mostraram que planos desse tipo ajudam a cumprir metas mais do que só ter a intenção. A decisão é tomada antes, com calma, e não na hora em que o doce está na sua frente.

Alguns exemplos que costumam funcionar:

Dormir mal aumenta a vontade

Noites curtas pesam. Num estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley, pesquisadores observaram o cérebro de voluntários depois de uma noite sem dormir e viram que, privados de sono, eles passaram a desejar mais alimentos muito calóricos. Se a vontade de doce piora nos dias em que você dormiu pouco, isso não é falta de caráter. Vale olhar para o sono junto com o doce.

O paladar se ajusta, devagar

Muita gente diz que, depois de um tempo comendo menos doce, a fruta passa a parecer mais doce. Existe um estudo nessa linha. Paul Wise e colegas, do Monell Center, colocaram um grupo pequeno numa dieta com menos açúcar por três meses. No terceiro mês, esse grupo achava os pudins cerca de 40% mais doces que o grupo de controle. O quanto eles gostavam de doce não mudou. O efeito só apareceu a partir do segundo mês, então não espere que isso aconteça na primeira semana.

Quando você comer o doce

Vai acontecer. O risco não é o brigadeiro, é o pensamento que vem depois: "já estraguei o dia, agora tanto faz". Os psicólogos Janet Polivy e C. Peter Herman descreveram esse padrão em pessoas de dieta: quebrar uma regra rígida uma vez leva a comer ainda mais. A resposta é combinar consigo, antes, que um doce conta como um doce, e não como o fim do plano. O próximo momento segue o plano normalmente.

Anote os dias sem doce

Acompanhar o que você faz tem efeito medido. Numa meta-análise de 138 experimentos com 19.951 participantes, liderada por Benjamin Harkin, monitorar o progresso aumentou a chance de atingir a meta, e mais ainda quando o registro era escrito ou compartilhado com outras pessoas. Uma marcação por dia, num papel na geladeira ou num app, já serve.

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